Há muito que se fala em transformar a sala de aula num ciberespaço. Como se isso fosse fácil…
Ao professor, oferecem um cursinho básico de Word, PowerPoint e Internet feitos à distância, e depois, na escola, um laboratório de informática com o sistema operacional Linux (do qual ele nunca ouviu falar) instalado.
Lá vai o professor com seu alunos para o laboratório de informática. O que vai fazer? Ainda não sabe, mas precisa levar os alunos para o laboratório de informática (… laboratório de informática … laboratório de informática … laboratório de informática – as palavras do diretor ecoam na cabeça dele como uma ordem a ser cumprida sem questionamentos).
O que os alunos vão fazer?… Pesquisar na Internet. Mas pra fazer pesquisa não precisa de laboratório de informática… tem a biblioteca.
Sim. Mas depois de pesquisar, os alunos vão digitar o trabalho. (Mas para isso não servia aquela antiga máquina de escrever? Não precisava de laboratório de informática…)
Para arrematar a atividade didático-pedagógica, os alunos agora vão produzir um PowerPoint. (Clap, clap, clap) Chegamos ao máximo da eficiência de uma atividade desenvolvida no laboratório de informática. Mas será que os cartazes não cumpriam essa mesma função? E ainda tinham a vantagem de ficarem expostos por algum tempo nas paredes da escola… Será só isso a famigerada informática?
Um dos maiores desafios da inserção das novas Tecnologias de Informação e Comunicação nas escolas é passar de usos das TICs que banalizam o conhecimento para a expansão do conhecimento. A Internet apresenta a possibilidade de escolas, professores e alunos figurarem como os pontos centrais de interesse para qualquer pessoa, já que foi concebida como uma rede descentralizada. Isto quer dizer que ela proporciona diversas entradas, selecionadas de acordo com os interesses e anseios de cada um.
Existem milhares de sites que ensinam o passo-a-passo da inclusão digital. A Educarede é o meu predileto. Tem dicas sensacionais para o uso das TIC´s em sala de aula. Tem artigos voltados ao desafio de se ensinar com a Internet, fórum, Oficinas de Criação, Oficinas de Formação, Projetos e Atividades e muitas outras possibilidades de desenvolvimento da competência tecnológica dos professores.
Vale ressaltar também a importância da ferramenta Blog como um meio digital com enorme potencial para o ensino, mas de difícil realização desse potencial quando eles são considerados apenas tecnologias, e não formas de cultura e comunicação. Saber utilizar os blogs ajuda a administrar o excesso de informações além de responder às necessidades de formação contínua e a distância. Já bem comum em nosso dia-a-dia, o blog se transformou na principal forma de expressão dos muitos milhões de pessoas que se conectam pela internet. E essa ferramenta pode fazer parte da rotina em sala de aula.
Há um mês atrás descobri o Wiki. Não vou aqui me estender sobre esse assunto porque ainda estou estudando seu tutorial. Prometo voltar a ele em breve…
Para encerrar o papo de hoje (minha estreia num Blog pessoal), queria convidar vocês, educadores ou não, pais ou não, todos que, de alguma maneira se encontram comprometidos com a qualidade da educação dos brasileiros. Quero tratar aqui de assuntos importantes que concernem à educação no Brasil, de reflexões acerca dos desafios da inclusão digital, de discussões sobre o trabalho do educador, dessa tal “pedagogia de competências”, mas quero também dar dicas de sites interessantes, de livros, de congressos, de cursos. Quero contar histórias, trocar experiências, divulgar ações de sucesso, criticar ações antidemocráticas de gestões escolares, sugerir soluções para problemas insolúveis…
Quero participar da construção de um sistema e de uma política educacional que sejam dignos do nosso país.



