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201 DIAS LETIVOS

Pasmem!!! Eu ontem estava falando de como algumas pessoas se especializam em tornar difícil a vida do professor,  da obrigatoriedade dos 200 dias letivos e… acreditem, este ano não são mais 200 dias… são 201. Agora sim!!! A qualidade da educação está garantida!!! 

E isso deve ter sido decidido depois de muitas reuniões com os cabeças da educação, afinal, é uma decisão que muda tudo na educação. 

 
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Publicado por em 28 28America/Sao_Paulo janeiro 28America/Sao_Paulo 2012 em Uncategorized

 

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HORA DE VOLTAR…

27 de janeiro… faltam só alguns dias para retornar ao trabalho… vivo um misto de ansiedade com angústia. Ansiosa por voltar à sala de aula, rever antigos alunos e colegas, conhecer outros novos; começar um trabalho novo, uma nova jornada, uma nova aprendizagem…

Angustiada por não saber o que nos espera o novo ano: mais violência, mais medo, mais “pancadas” no “lombo” do professor… mais atribuições burocráticas, mais descaso com nossa profissão e com a educação?

E olha que nem posso reclamar! Meus alunos são meninos e meninas que, contrariando a ideia que muitos fazem deles, são extremamente educados e carinhosos. Não existe neles a arrogância dos “filhinhos de papai”, pelo contrário, na maioria dos rostos ainda tão jovens, já se desenha a marca da responsabilidade, da necessidade do trabalho após a aula, seja no emprego formal ou nos afazeres da vida familiar.

Sei que minha angústia se desmanchará logo nos primeiros dias de aula (ao menos ao que se refere aos alunos) e, em seu lugar, surgirá o desejo de ver o crescimento de cada aluno colocado sob minha responsabilidade; o desejo de vê-los aprender a tomar as rédeas da vida e de compreender que depende  principalmente  deles  o rumo que a vida vai tomar… e eu estarei ali.

Quanto ao descaso pelo trabalho do professor (descaso que se percebe não só na questão salarial, mas em atitudes tomadas com a desculpa esfarrapada de se garantir uma educação de qualidade), esse eu sei que um dia vai deixar de vigorar. Hoje tenho de fazer o “planejamento” na escola, mesmo sem material, sem espaço, sem vontade… e depois vou para casa fazer o planejamento de verdade, pois é lá que tenho meu computador, minha impressora, meus livros, meu espaço próprio, mas, um dia… as cabeças que pensam a educação vão compreender que não precisam e nem devem punir o professor com a obrigatoriedade de planejamento na escola para conseguirem qualidade em suas aulas.

Às vezes me parece que professor é o único profissional que não tem família: quando há um feriado, um ponto facultativo e um fim de semana em seguida, todos viajam, reúnem as famílias, descansam… menos o professor que, para manter os famigerados 200 dias letivos, tem de ir para a escola (e muitas vezes têm de deixar os parentes que vieram visitá-lo sem sua presença). Mas os 200 dias letivos ficam garantidos!

Isso me lembra as discussões sobre avaliação: tem sempre alguém para lembrar a máxima “qualidade em detrimento da quantidade”… mas parece que isso só vale em algumas situações. Somente 200 dias letivos garantem a qualidade da educação!!!

Mas tudo bem… já estou aqui “planejando”: fiz plano de curso, rabisquei projetos, ensaiei aulas, montei apostilas… Só não contem a ninguém, tá?

Até breve!!!

 
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Publicado por em 27 27America/Sao_Paulo janeiro 27America/Sao_Paulo 2012 em Uncategorized

 

O SAPO

Era uma vez um lindo príncipe por quem todas as moças se apaixonavam.

Por ele também se apaixonou uma bruxa horrenda que o pediu em casamento. O príncipe nem ligou e a bruxa ficou muito brava. “Se não vai casar comigo não vai se casar com ninguém mais!” Olhou fundo nos olhos dele e disse: “Você vai virar um sapo!” Ao ouvir essa palavra o príncipe sentiu uma estremeção. Teve medo. Acreditou. E ele virou aquilo que a palavra de feitiço tinha dito. Sapo. Virou um sapo.

Bastou que virasse sapo para que se esquecesse de que era príncipe. Viu-se refletido no espelho real e se espantou: “Sou um sapo. Que é que estou fazendo no palácio do príncipe? Casa de sapo é charco.” E com essas palavras pôs-se a pular na direção do charco. Sentiu-se feliz ao ver lama. Pulou e mergulhou. Finalmente de novo em casa.

Como era sapo, entrou na escola de sapos para aprender as coisas próprias de sapo. Aprendeu a coaxar com voz grossa. Aprendeu a jogar a língua para fora para apanhar moscas distraídas. Aprendeu a gostar do lodo. Aprendeu que as sapas eram as mais lindas criaturas do universo. Foi aluno bom e aplicado. Memória excelente. Não se esquecia de nada. Daí suas notas boas. Até foi o primeiro colocado nos exames finais, o que provocou a admiração de todos os outros sapos, seus colegas, aparecendo até nos jornais. Quanto mais aprendia as coisas de sapo, mais sapo ficava. E quanto mais aprendia a ser sapo, mais se esquecia de que um dia fora príncipe. A aprendizagem é assim: para se aprender de um lado há que se esquecer do outro. Toda aprendizagem produz o esquecimento.

O príncipe ficou enfeitiçado. Mas feitiço – assim nos ensinaram na escola – é coisa que não existe. Só acontece nas estórias da carochinha. 

Engano. Feitiço acontece sim. A estória diz a verdade. Feitiço: o que é? Feitiço é quando uma palavra entra no corpo e o transforma. O príncipe ficou possuído pela palavra que a bruxa falou. Seu corpo ficou igual à palavra.

A estória do príncipe que virou sapo é a nossa própria estória. Desde que nascemos, continuamente, palavras nos vão sendo ditas. Elas entram no nosso corpo, e ele vai se transformando. Virando uma outra coisa, diferente da que era. Educação é isto: o processo pelo qual os nossos corpos vão ficando iguais às palavras que nos ensinam. Eu não sou eu: eu sou as palavras que os outros plantaram em mim. Como o disse Fernando Pessoa: “Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim”. Meu corpo é resultado de um enorme feitiço. E os feiticeiros foram muitos: pais, mães, professores, padres, pastores, gurus, líderes políticos, livros, TV. Meu corpo é um corpo enfeitiçado: porque o meu corpo aprendeu as palavras que lhe foram ditas, ele se esqueceu de outras, que, agora, permanecem mal… ditas…

A psicanálise acredita nisso. Ela vê cada corpo como um sapo dentro do qual está um príncipe esquecido. Seu objetivo não é ensinar nada. Seu objetivo é o contrário: des-ensinar ao sapo sua realidade sapal. Fazê-lo esquecer-se do que aprendeu, para que ele possa lembrar-se do que esqueceu. Quebrar o feitiço. Coisa que até mesmo certos filósofos (poucos) percebem. A maioria se dedica ao refinamento da realidade sapal. Também os sapos se dedicam à filosofia… Mas Wittgenstein, filósofo para ninguém botar defeito, definia a filosofia como uma “luta contra o feitiço” que certas palavras exercem sobre nós. Acho que ele acreditava nas estórias da carochinha…

Tudo isso apenas como introdução à enigmática observação com que Barthes encerra sua descrição das metamorfoses do educador. Confissão sobre o lugar onde havia chegado, no momento da velhice. Há uma idade em que se ensina aquilo que se sabe. Vem, em seguida, uma outra, quando se ensina aquilo que não se sabe. Vem agora, talvez, a idade de uma outra experiência: aquela de desaprender. Deixo-me, então, ser possuído pela força de toda vida viva: o esquecimento…

Esquecer para lembrar. A psicanálise nenhum interesse tem por aquilo que se sabe. O sabido, lembrado, aprendido, é a realidade sapal, o feitiço que precisa ser quebrado. Imagino que o sapo, vez por outra, se esquecia da letra do coaxar, e no vazio do esquecimento, surgia uma canção. “Desafinou!”, berravam os maestros. “Esqueceu-se da lição”, repreendiam os professores. Mas uma jovem que se assentava à beira da lagoa juntava-se a ele, num dueto… E o sapo, assentado na lama, desconfiava…

“Procuro despir-me do que aprendi”, dizia Alberto Caieiro. “Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar minha emoções verdadeiras,
desembrulhar-me, e ser eu…”

Assim se comportavam os mestres Zen, que nada tinham para ensinar. Apenas ficavam à espreita, esperando o momento de desarticular o aprendido para, através de suas rachaduras, fazer emergir o esquecido. É preciso esquecer para se lembrar. A sabedoria mora no esquecimento.

Acho que o sapo, tão bom aluno, tão bem educado, passava por períodos de depressão. Uma tristeza inexplicável, pois a vida era tão boa, tudo tão certo: a água da lagoa, as moscas distraídas, a sinfonia unânime da saparia, todos de acordo… O sapo não entendia. Não sabia que sua tristeza nada mais era que uma indefinível saudade de uma beleza que esquecera. Procurava que procurava, no meio dos sapos, a cura para sua dor. Inutilmente. Ela estava em outro lugar. Mas um dia veio o beijo de amor – ele se lembrou. O feitiço foi quebrado.

Uma bela imagem para um mestre! Uma bela imagem para o educar: fazer esquecer para fazer lembrar!

ALVES, Rubem. A alegria de ensinar, Campinas, São Paulo: Papirus; Speculum, 2000, p. 33-37

 
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Publicado por em 27 27America/Sao_Paulo janeiro 27America/Sao_Paulo 2012 em Uncategorized

 

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Cortar o tempo – Carlos Drummond de Andrade

“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
 Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.”

Não dá para iniciar um novo ano sem refletir sobre essas palavras de Drummond… 

Em breve, se Deus quiser, retorno com força total ao blog esperando contribuir sempre com uma palavra, um abraço (nem que seja virtual) para fazer o dia de vocês mais feliz, mais cheio de amor, de paz e de alegria.

Feliz 2012!!!! 

 
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Publicado por em 1 01America/Sao_Paulo janeiro 01America/Sao_Paulo 2012 em Uncategorized

 

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 5.200 vezes em 2011. Se fosse um comboio, eram precisas 4 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

 
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Publicado por em 1 01America/Sao_Paulo janeiro 01America/Sao_Paulo 2012 em Uncategorized

 
 
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